A imigração japonesa na cidade do Rio de Janeiro conta com algumas peculiaridades, antes de 1908, o Rio já havia recebidos algumas famílias. Wasaburo Otake chegou ao Rio em 1889, integrando a tripulação do cruzador brasileiro Almirante Barroso, a estada de Otake no Rio não durou mais do que 4 anos, mas o rastro por ele deixado assumiu a forma de um dicionário e perdura até os dias de hoje. Otake serviu a missão diplomática durante 38 anos, até seu fechamento com a Segunda Guerra Mundial, tornando-se personagem fundamental da imigração japonesa do Brasil.
As Imigrações antes da Segunda Guerra Mundial eram compostas de imigrantes que se dedicavam a lavoura. Devido à baixa remuneração, buscaram outros tipos de atividades, entre elas a lavanderia/tinturaria, barbearia, comércio, locação de automóveis (taxi), pensões e restaurante. Aqueles que investiam no comércio, adquiriam os produtos para venda imediata e visavam altos lucros, no entanto havia uma dificuldade de aquisição dos produtos, gerada pelo fraco movimento que acarretou no fechamento das lojas. A partir de 1920 - 1930, abriram mercado para os produtos manufaturados nas próprias fábricas montadas no Brasil e não só os importados. As principais casas que se destacaram neste período foram a Casa Hatiya, Casa Fujizaki, Casa Sawamura Kojiro, Casa Shirato Kanji e Nishitani Kazuo.
As lavanderias/tinturarias tiveram uma grande procurada por parte dos imigrantes já que era possível investir nessa área com poucos recursos, poucos funcionários e baixo capital de giro. Se estabeleceram no Rio de Janeiro a Tinturaria Gheisha, Nipônica, Rio-Tóquio, Sol do Brasil, Federal e muitas mais, hoje contamos somente com duas tinturarias remanescentes dessa época, a Gheisha e Sol do Brasil.
Após a Segunda Guerra Mundial, até 1959, a colônia japonesa recebeu nisseis que vieram cursar as Universidades Federal e Estadual do Rio de Janeiro, muitos permanecendo mesmo após a formação acadêmica, trabalhando em empresas estatais, multinacionais, hospitais ou abrindo suas próprias empresas ou consultórios. Com a inauguração, em 1959, do Estaleiro Ishikawajima do Brasil (Ishibrás), no Bairro do Caju e em 1974 da Fábrica de Equipamentos Industriais Pesados (Fábrica de Campo Grande Ishibrás) em Campo Grande, ambas subsidiárias da Empresa Ishikawajima do Japão, uma grande quantidade de técnicos e engenheiros, vindos do Japão e de São Paulo invadem o Rio de Janeiro. Desde a inauguração até o encerramento das atividades das empresas em 1994, a empresa recebeu 84 técnicos e 6 engenheiros imigrantes, a maioria permaneceu no Rio de Janeiro,
? isto não está coerente com a informação acima em torno de 800 hakenchas (japoneses técnicos ou engenheiros ou administradores) que permaneceram durante 3 a 5 anos no Rio de Janeiro. Uma minoria dos hakenchas permaneceram no Rio.
O Rio de Janeiro abrigava então 3 empresas de grande porte, a Ishikawajima, a Vale do Rio Doce, a maior empresa de mineração do Brasil e a Petrobras, que aqueceram o mercado carioca e possibilitaram que as empresas japonesas Mitsubishi, Mitsui, Itochu, Sumitomo, Hitachi e outras se estabelecessem na região. Entre 1900 e 1930 os japoneses que vieram trabalhar nessas empresas ou os que optaram pelo comércio, residiam dispersos na cidade, dificultando a possibilidade de formar organizações. Somente em 1972 a Associação Nikkei do Rio de Janeiro foi fundada, atualmente localizada no Bairro de Cosme Velho, com aproximadamente 250 associados.