Em 1935, Jyusuke Nakamashi chegou em Ilha Grande para dar início à produção de sardinhas salgadas. Inicialmente, Jyusuke comprava as sardinhas, fazia a preparação e ele mesmo as levava à São Paulo para fazer a comercialização. Em pouco tempo inicia a pesca e passa a produzir também as sardinhas enlatadas e secas, vendidas principalmente para os japoneses residentes no Brasil.
Nakamashi era pescador, fabricante e negociador e com isso, teve um rápido retorno de seus investimentos, fazendo-se necessária a ampliação dos negócios, empregando mais funcionários e chamando alguns conterrâneos da província de Okinawa, entre eles: Kama Higa, Minei, Kamezo Tonaki e Gondo. A produção chegou a 1.500 caixas de sardinhas secas por mês, voltadas para o paladar japonês.
Com a crescente produção feita na Ilha Grande, o produto ficou mais popular e a venda se estendeu para todo o Brasil. Existiam no mercado nove marcas de famílias japonesas, eram elas: Peixe-voador da família Gyusuke Nakamashi, Esperança da família Ueti, Bom Pastor dos Gyusuke Uehara, Irmãos Unidos dos irmãos Hadama, Sol da familia Kora, Rei dos Chinem, Angra da família Tonaki, Jabaquara dos Minei e Pescador da família Furuguem. Cada um produzia entre 5.000 a 10.000 latas de sardinha e entre 1.000 a 10.000 kg de sardinha seca por mês.
Entre 1960 e 1980 a maior fábrica, Kamome, que pertencia a Kunijo Odaka, empregava 80 pessoas, limpando e salgando algo em torno de 80 e 100 toneladas de sardinha por mês. Chegaram a ter 23 fábricas do produto.
Ao final de 1960, com a diminuição da captura das sardinhas e a facilidade de transporte de sardinha crua para o interior, a produção foi caindo, o consumo foi diminuindo ano a ano até que, na década de 80, muitos tiveram que fechar suas fábricas e abandonar a Ilha Grande.
Essa região conta com outros dados importantes, em 1958 foi fundado o Clube de Angra dos Reis, atualmente com 12 famílias associadas e o único deputado estadual nikkei do Rio de Janeiro, trabalhou nessa região em prol da Associação Cultural e Esportiva Nipo Brasileira do Rio.
Em 2018, cerca de 150 descendentes de japoneses residem na região de Angra dos Reis.